30 de Maio de 2026
por Thiago Carvalho
"Não tem como isso dar certo," foi o que uma amiga do Binho disse quando ele comentou que o clube do livro não tem presença em nenhuma rede social.
Em 2026, existir fora das redes é estranho. Dizer que a gente só se reúne pessoalmente, sem Instagram e sem grupo no WhatsApp, faz as pessoas terem um momento Nazaré Pensativa antes de continuarem a conversa. Essa confusão mental que o clube provoca é parte do que eu tenho achado interessante nele.
O formato desconectado não vem de um ideal moral elevado, vem de um cansaço. Ninguém precisa de mais um grupo com 40 mensagens não lidas que tenta te vender a ideia de que a coisa mais importante que você poderia fazer na sua vida agora é prestar atenção nele (e não nos outros 72 grupos fazendo exatamente a mesma coisa).
Tem uma mágica na existência física do clube. Ou você está no Bretão na quinta-feira, ou não está, e de qualquer forma tá tudo bem. Sem culpa, sem cobrança. As conversas existem só pra quem estava lá. Não podem ser printadas, não vão aparecer num feed, não ficam disponíveis. Tem algo libertador na ideia de que uma conversa sobre um livro num bar que não precisa ser transformada em conteúdo. Pode só ter acontecido.
Dentro do padrão dos dias de hoje, realmente a amiga do Binho tem razão, não tem como isso dar certo, mas talvez tenha espaço pra quebrar com o padrão mesmo que pra isso a gente tenha que redefinir o que significa "dar certo."